O que era para ser apenas uma noite de gala com trajes finos e confraternização transformou-se em um marco histórico de afeto e representatividade. Durante o 2º Encontro de Trisais do Brasil, realizado em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, 24 famílias poliamorosas foram surpreendidas com um emocionante casamento coletivo.
A iniciativa, repleta de simbolismo, buscou dar voz e visibilidade a arranjos familiares que, embora reais e cotidianos, ainda operam à margem do reconhecimento legal no país. Conforme informações apuradas pela reportagem do G1, o evento ocorreu entre os dias 10 e 13 de setembro de 2026.
O que impede o registro oficial e como ocorreu o casamento de trisais?
No cenário jurídico brasileiro atual, a oficialização de uniões poliafetivas encontra um grande obstáculo. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) proíbe que os cartórios de registro civil realizem a escritura pública desse tipo de relacionamento. Por essa razão, a organização do encontro optou por uma celebração de caráter puramente simbólico.
Sem o peso de formalidades estatais ou dogmas religiosos, o celebrante da cerimônia tocou o coração dos presentes ao destacar a legitimidade do sentimento que une essas pessoas. Ele enfatizou que as regras sociais tradicionais não devem limitar a capacidade humana de amar e construir laços estáveis.
"Por gerações, fomos condicionados a crer que o afeto possui um único formato aceitável. Vocês provam, no dia a dia, que o amor encontra seus próprios caminhos e edifica lares legítimos. Que nenhuma família precise se moldar ao padrão alheio para ser reconhecida como tal", declarou o celebrante.
Detalhes do Encontro de Trisais do Brasil
| Aspecto | Detalhes do Evento | | :--- | :--- | | Evento | 2º Encontro de Trisais do Brasil | | Localização | Nova Friburgo, Rio de Janeiro (RJ) | | Data de Realização | 10 a 13 de setembro de 2026 | | Público Presente | 24 trisais e 2 casais não monogâmicos | | Edição Anterior | Pinhalzinho, São Paulo (SP) em 2025 | | Natureza do Casamento | Simbólica e afetiva |
Histórias de afeto e persistência pelo Brasil
Entre as histórias que ganharam destaque está a de Marcel Mira, Priscila Mira e Regiane Gabarra. Moradores do interior do estado de São Paulo, o trio não apenas ajudou a organizar o evento, mas também compartilha a rotina de sua relação nas redes sociais, onde acumulam mais de 131 mil seguidores.
Para Priscila, a durabilidade de uma relação poliamorosa exige o mesmo empenho de qualquer união convencional:
"Muitos casais monogâmicos celebram bodas de ouro não por sorte, mas porque decidiram persistir juntos. Conosco é exatamente igual. Nós escolhemos não desistir dessa família que construímos", pontuou Priscila.
União duradoura e acolhimento coletivo
Outro relato marcante veio do Centro-Oeste brasileiro. O trisal composto por Renaullt Câmara (40 anos), Jucimara Almeida (41 anos) e Vanessa Pereira (34 anos), residentes em Goiânia (GO), celebrou a oportunidade de compartilhar suas vivências com pessoas que enfrentam os mesmos desafios.
Juntos há 15 anos, eles já haviam realizado uma cerimônia íntima em sua cidade natal, mas viram no encontro fluminense uma validação comunitária essencial. Para Renaullt, estar em um ambiente onde todos "falam a mesma língua" traz uma leveza e um acolhimento difíceis de encontrar no cotidiano social amplamente monogâmico.