O deputado federal Antônio Doido (MDB-PA) voltou ao epicentro do noticiário policial após ser alvo de uma nova ofensiva deflagrada pela Polícia Federal. A corporação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar em Belém, no âmbito de um inquérito que apura a suposta prática de ilícitos eleitorais.
Durante as diligências, um fato inusitado chamou a atenção dos policiais federais: um smartphone foi localizado deliberadamente ocultado no interior do sistema de esgoto de um dos imóveis vistoriados.
Conforme apuração divulgada pelo portal G1, a equipe de investigação recolheu materiais significativos nos locais vinculados ao parlamentar:
Até a publicação deste material, a defesa do deputado não havia retornado aos pedidos de pronunciamento formulados pela imprensa.
Histórico de celulares descartados marca trajetória com a PF
Essa não foi a primeira ocasião em que manobras de descarte de aparelhos telefônicos envolveram o nome do parlamentar paraense. Em dezembro de 2025, no âmbito da Operação Igapó — que investigava esquemas de lavagem de capitais e corrupção —, o deputado jogou aparelhos celulares pela janela de seu apartamento funcional em Brasília assim que os policiais chegaram para cumprir mandados.
Na ação mais recente, a tentativa de camuflar equipamentos de comunicação repetiu-se com a inserção de um telefone na tubulação sanitária, indicando estratégias recorrentes para evitar a checagem imediata de dados digitais por parte dos peritos federais.
Perfil político e a batalha judicial pela candidatura
Batizado como Antônio Leocádio dos Santos, o político tem 49 anos e é natural de Dom Macedo Costa, na Bahia, mas construiu toda a sua projeção pública no Pará. Em 2016, foi eleito prefeito de São Miguel do Guamá pelo PSDB, não obtendo êxito na tentativa de reeleição em 2020. Em 2022, alcançou uma cadeira na Câmara dos Deputados após conquistar 126.535 votos.
O parlamentar, que disputou a prefeitura de Ananindeua em 2024 sem avançar ao segundo turno, trabalha para concorrer à reeleição ao Legislativo federal em 2026. A caminhada eleitoral, contudo, enfrentou graves entraves judiciais recentes:
Em abril de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) ratificou a condenação por abuso de poder político e econômico de Antônio Doido, impondo-lhe a sanção de inelegibilidade pelo prazo de oito anos.
O cenário sofreu reviravolta em julho, quando o ministro Nunes Marques, atuando na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), outorgou efeito suspensivo ao recurso da defesa para resguardar sua capacidade eleitoral. O plenário da Corte eleitoral superior referendou a liminar de forma unânime em setembro, viabilizando temporariamente seu projeto político.
Variação de patrimônio declarado à Justiça Eleitoral
Nos registros prestados ao Tribunal Superior Eleitoral para o pleito de 2026, o deputado informou um patrimônio de R$ 2,23 milhões. O montante apresenta uma leve retração quando confrontado com a prestação de contas de 2024, decorrente da redução de recursos mantidos em conta bancária:
| Bem Declarado | Localização / Descrição | Valor Registrado | | :--- | :--- | :--- | | Terreno urbano | Margens da Rodovia PA-150 | R$ 1.150.000 | | Imóvel às margens de rodovia | BR-316 | R$ 730.000 | | Propriedade rural (fazenda) | PA-124, em Ourém | R$ 200.000 | | Terreno | Alça Viária | R$ 150.000 |
Com os mandados cumpridos, a Polícia Federal periciará os materiais apreendidos para identificar se o dinheiro fracionado em envelopes configurava captação ilícita de sufrágio ou desvios voltados à campanha em andamento.